Resolvi empreender: com o que devo me preocupar primeiro?
6 min de leitura · 23 de setembro de 2026 · Por Monexx
A decisão de empreender costuma vir numa noite, depois de um cansaço, de uma ideia ou de uma oportunidade. E ela nunca esteve tão em alta: segundo dados da Receita Federal, o Brasil abriu 3,6 milhões de novos negócios entre janeiro e julho de 2026, 14% a mais que no mesmo período do ano passado. Quase todos (96,7%) são MEI.
Abrir ficou fácil. O CNPJ sai em minutos, pelo celular. O difícil vem depois, porque, logo que decide, a gente costuma se preocupar com as coisas erradas.
O que os números dizem sobre os primeiros anos
Um estudo do Sebrae divulgado em setembro de 2026 acompanhou pequenos negócios nos cinco anos seguintes à abertura do CNPJ. Entre os MEIs que seguiram sozinhos, sem nenhum apoio, só 33,7% continuavam abertos no quinto ano. Com orientação, esse número quase dobra. E o próprio estudo aponta que a maior parte dos fechamentos acontece nos dois primeiros anos.
Ou seja: o risco não está na ideia. Está nos primeiros 24 meses de operação, justamente quando o empreendedor ainda está descobrindo como o dinheiro entra e sai do negócio.
Não dá pra pular essa fase. Mas dá pra entrar nela sabendo o que olhar.
O que parece urgente, mas pode esperar
- O logo perfeito e a identidade visual completa
- Um site com todas as páginas antes do primeiro cliente
- A sala, o escritório ou a reforma do espaço
- Perfis em todas as redes sociais ao mesmo tempo
- Cartão de visita, uniforme e brindes
Nada disso é inútil. Mas nada disso fecha uma empresa. O que fecha é o dinheiro acabar antes de o negócio engrenar.
As seis preocupações que não podem esperar
1) Quanto tempo você aguenta sem lucro. Todo negócio tem um período em que gasta mais do que ganha. Antes de abrir, saiba quantos meses do seu custo de vida você consegue bancar sem tirar nada da empresa. Esse número é o seu prazo real.
2) Separar o dinheiro no primeiro dia. Conta da empresa é da empresa, conta sua é sua. Quem mistura no começo leva anos para desembaraçar e nunca sabe se o negócio dá lucro ou se está sendo sustentado pelo salário de outra pessoa da casa.
3) Quanto custa manter a porta aberta. Aluguel, internet, sistema, contador, DAS, transporte, ferramentas. Some tudo o que você paga todo mês, vendendo ou não. Esse é o seu custo fixo, e ele é o ponto de partida de qualquer preço.
4) Um preço que paga a conta. Muita gente copia o preço do concorrente e descobre meses depois que está trabalhando de graça. O preço precisa cobrir o custo do que você entrega, os impostos, as taxas de recebimento, uma parte do custo fixo e ainda deixar sobra.
5) O prazo entre vender e receber. Vender no dia 5 e receber no dia 35 enquanto as contas vencem no dia 10 é o jeito mais comum de uma empresa que vende bem ficar sem caixa. Antes de fechar o primeiro contrato, saiba quando o dinheiro de fato cai.
6) Registrar tudo desde a primeira venda. Cada entrada, cada saída, cada categoria. É isso que transforma impressão em informação. Sem registro, você só descobre o problema quando a conta já não fecha.
Fazer as contas antes também serve para dizer não
O problema é que a grande maioria não faz essa análise. E uma parte dos que fazem não acredita no próprio resultado e segue em frente dizendo "comigo vai ser diferente". Não é à toa que quase 70% dos MEIs que seguem sozinhos fecham antes do quinto ano.
Onde o sistema entra (e por que desde o começo)
Quem começa tende a deixar a gestão para "quando crescer". Só que é justamente no começo, com pouca margem de erro, que cada real precisa estar visível. Com o Monexx, você cadastra contas a pagar e a receber desde o primeiro cliente, acompanha o fluxo de caixa dos próximos meses e vê no painel quanto falta para atingir o ponto de equilíbrio do mês. As seis preocupações deixam de ser uma lista na cabeça e viram números na tela.
Resolver empreender é a parte corajosa. Saber com o que se preocupar é o que mantém você no jogo.




